Movie Music

Movie Music

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Dirt

Hoje venho falar de um dos meus albuns de estimação. Dirt dos Alice in Chains já me confortou vezes sem conta quando estava triste. Eu julgo que, ao contrário da maioria da pessoas, quando se está triste se deve ouvir musica triste. Este album sempre me deixou animado com as suas letras depressivas e violentas. Com as suas guitarras melódicas e fortes. Com as vocalizações cheias de inspiração do falecido Layne Staley.

Dirt foi o mais perto que os Alice in Chains estiveram de uma obra prima. Curiosamente descobri-os ao ver um filme bastante fraco Last Action Hero. A musica de abertura What the Hell have I deixou-me desconcertado e sai do filme para ir a procura da banda sonora. Banda Sonora essa que me haveria de dar a conhecer o album de que falo hoje.

O album é um retrato bastante fiel da adição á heroina de Layne. O album é centrado nessa temática morbida, resignada e desesperada. A guitarra de Jerry Cantrell faz-nos sonhar durante a audição enquanto as letras de Layne nos trazem a terra.

Dirt é bastante negro semelhante ao tema da capa do album. O grande trunfo desta peça é a sua honestidade misturada com as revelações que as letras nos trazem.

Grande conjunto de canções que para sempre perduram na memória de quem apreciou este album.

Down in a Hole fará certamente parte da banda sonora do meu funeral.

Nós controlamos a noite

Comecei as minhas crónicas com alguns dos meus realizadores preferidos Scorcese, Amenabar, Wong Kar Wai Escrevo agora sobre outro, James Gray que teve um começo de carreira impressionante. O seus três primeiros filmes, Viver e Morrer em Little Odessa, Nas teias da corrupção e o filme de que vou falar Nós Controlamos a Noite, são lições sobre o mundo escuro e subterrâneo.

Este filme é um sangrento, apaixonado melodrama sobre a relação entre dois irmãos que tem estilos de vida contrastantes. Joseph (Mark Whalberg) é um policia ambicioso que sobe rapidamente no departamento de policia. Bobby (Joaquin Phoenix) não quer o nome da familia e dirige uma famosa discoteca nocturna em Brooklyn. Os dois irmãos, quais Cain e Abel, são duas faces da mesma moeda.

Todo o filme gira á volta de Bobby, no seu caminho para a redenção aos olhos do pai (Robert Duvall)

A parte que mais me intriga anda á volta da perspectiva do realizador sobre familias imperfeitas.

A cena maior do filme ,é a brilhantemente filmada, perseguição automovel á chuva perto do final.

James Gray demonstra aqui a sua brilhante direcção de actores.

O futuro dirá, se James Gray poderá ir tão longe como o seu começo sugere.


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Reflexão

Uma leitora deixou um comentário a dizer que uma das funções do cinema era:
Trazer novos mundos e fazer pensar.
E é isso, nada mais que isso.
Cinema é sonho e pensamento.
Há uma diferença clara entre filmes e cinema.
Aqui no blogue aspiramos a falar de cinema.

2046



Wong Kar Wai é um dos meus cineastas de eleição. 

Turbilhão de sensações: esta seria a ideia perfeita para descrever “2046”.

 Filme que se pode considerar a continuação de outra obra prima de Wong Kar Wai “In the Mood for Love”.
 O filme é um labirinto emocional de que ninguem sai imune. Como se pode explicar um filme, de um precioso sentido estético, que fica preso em si próprio.
O começo do filme situa-nos num comboio sem destino final, com um protagonista que tem um monologo acerca de um lugar ideal, a ilha 2046 onde se recupera a memória.
O filme passa em seguida para o ano de 1966, de volta a Hong Kong com Chow Mo-Wan ( o protagonista de In the Mood for Love) depois de voltar de Singapura com o coração partido.
Chow instala-se num hotel em Hong Kong, num quarto ao lado do numero 2046. Por esse quarto passam uma série de mulheres que caem inapelavelmente aos seus encantos. Criando em si uma capa dura devido ao sofrimento anterior, Chow tem o controlo de todas essas mulheres. E assim decorre o filme, durante duas horas dentro de um quarto de hotel, dando-nos a conhecer os pensamento de Chow e as desventuras das suas amantes.
Wong Kar Wai alimenta-se desta imagem de dureza, e ao mesmo tempo que dota o filme de uma fantástica consistência visual, deixa-nos com uma certa claustrofobia que nos faz desejar por ar no fim do filme.
É sem duvida um filme a ver e rever. Filme essencial na estante de qualquer cinéfilo que se preze.


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Maxinquaye

Este foi o album que me fez despertar para uma musica diferente da que ouvia até então. Toda a minha musica era o Rock. Se não tinha a composição clássica (Guitarra, Baixo, Bateria) não me interessava.

O meu mundo mudou depois de pela primeira vez ouvir este album. O que eram esta musica e estas vozes que me cativavam? Que sons estranhos eram estes que me faziam sonhar? Foi toda uma epifania.

O album de estreia de Tricky é um conjunto de musicas visonárias e de grande imaginação. Um album que soava como nenhum outro antes. A musica soa assombrada, perturbadora e surpreendente. A voz feminina de Martina vem dar um lado doce ao caos existente.

É um album cheio de tesouros depois de entrarmos nele.Black Steel leva-nos para outra dimensão.

As letras são de tirar a respiração. Mesmo depois de inumeras audições, ainda dou por mim rendido como da primeira vez. É um autêntico poço sem fundo este album.

Neste conjunto de canções encontra-se aquela que se veio tornar uma das minhas all-time favourites.

Suffoccated Love parece escrita para mim. Tem em si tudo o que eu represento.

Tricky abriu-me para toda a variada gama musical que se tornou o meu eclético gosto.



10,000 ANOS DEPOIS ENTRE VENUS E MARTE

Falar do rock progressivo feito em Portugal e nao mencionar o album "10.000 anos depois entre Vénus e Marte" (Orfeu 1978) é mesmo falta de conhecimento (ou até mesmo falta de gosto,digo eu).
Depois do super grupo Quarteto 1111 Jose cid e Comp gravaram o album que foi eleito o melhor alguma vez feito em Portugal (na epoca em saiu vendeu menos que mil exemplares!!)e faz parte dos 100 melhores albuns de rock progressivo a nivel mundial.
Infelizmente para nós,portugueses,este genero de musica nunca teve muita procura,só passado uns bons anos é que o mesmo album se transformou no objecto de culto (em Vinyl chega-se a pagar centenas de euros),eu ja me dou por contente ter conseguido o CD (na Carbono Amadora 10eur(!)),a ediçao portuguesa infelizmente nao inclui a musica "Vida (Sons Do Quotidiano)" do EP anterior.
Com base em ficção cientifica, o conceito é que, 10.000 anos depois da auto destruição da humanidade, um homem e uma mulher viajam de regresso para a Terra para a repovoar novamente.
Para mim que "venero" rock progressivo ter este album na minha colecçao foi uma festa,musica cantada no nosso portugues,antes da (quase) obrigaçao para bandas cantarem em ingles (para ficar mais bonito),sao 7 "malhas" de rock espacial,adoro os teclados e a forma como o Cid canta como se uma mensagem (fim do mundo) se tratasse.

"A tua cidade é uma vala comum
Todos os caminhos vão a lugar nenhum
Se tiveres que fugir, foge
Se tiveres que morrer, morre"



Deste album mitico fazem parte os excelentes musicos:

José Cid: Piano e Voz

Ramon Galarza: Bateria

Zé Nabo: Baixo

Mike Sergeant: Guitarra

Trainspotting



Aqueles que entraram no mundo escuro da droga, sabem que um dos poucos consolos depois de passar o frisson inicial, é a camaradagem com os outros junkies.
O consumo excessivo de droga leva a pessoa a isolar-se da vida diária das pessoas “normais”. Não interessa quão funcional seja a pessoa que usa droga, há sempre uma agenda secreta. O conhecimento que a droga de eleição é mais importante do que o mundo, sejam amigos, familia, empregos e até o sexo.
Este filme, inspirado num livro de Irvine Welsh, é sobre um conjunto de viciados em heroina de Edinburgo. A história é contada por Renton (Ewan Mcgregor) que paira sobre os mais degradantes sitios da cidade em busca da droga. Ele apresenta-nos os seus “amigos” cada um com a sua peculiaridade.
É estranha a popularidade deste filme dado o tema que trata. Será que o filme nos leva a algum lugar? Será que nos diz algo? Nem por isso. E essa é precisamente a ideia, mostrar-nos como o consumo de droga é circular. Nunca se vai a lado nenhum e continuamos a voltar ao ponto de partida. Mas fazem-se muito amigos durante a viagem.

É pena que eles morram.


The Unforgetable Fire



Este foi o primeiro album a “sério” que eu tive. Foi-me oferecido no meu  aniversário pelo meu pai que pediu a sugestão a vendedora da Valentim de Carvalho. Em boa hora a vendedora indicou esta obra-prima que me despertou para  a paixão pela musica que tenho.
Primeira colaboração na produção de Brian Eno e Daniel Lanois com os U2, com um trabalho mais minucioso em estudio. Estes produtores vieram dar cambiantes ao som da banda até então demasiado crua na sua produção.
Este é um disco atmosférico com um ambiente e umas texturas bastante diferentes dos discos anteriores da banda.
A primeira metade do disco é notável de ritmo e grandes vocalizações. A segunda parte é mais calma com uma grande canção Indian Summer Sky.
A cancão que sobressai deste disco é Pride (in the Name of Love), uma homenagem a Martin Luther King, com umas guitarradas fantasticas de The Edge e um refrão memorável, pleno de intensidade e força.
U2 que, viriam a lançar outros albuns tão memoraveis como este,  lançavam-se assim em direcção ao dominio mundial.

A busca da paz interior



A adaptação de Sean Penn, do livro de Jon Krakauer “Into The Wild”, é um dos momentos mais bonitos da história do cinema.
Encontramos Christopher (Emile Hirsch) como um sonhador idealista, em reacção contra os seus orgulhosos pais (William Hurt e Marcia Gay Harden) e a sua rebelde irmã (Jena Malone).
Tendo ele excelentes notas na universidade e o seu futuro em Direito perfeitamente ao seu alcance

porque desapareceu ele das suas vidas?  Porque foi o seu carro encontrado abandonado? Onde estava ele?
E porquê? porquê? porquê? 

Esta é a reacção, talvez natural, dos pais e da irmã.
Ele faz um diário, referindo-se a si próprio na terceira pessoa como um heroi solitário, renunciando a civilização e regressando ao estado selvagem.
O filme leva-nos na viagem de descoberta interior de Christopher, enquanto se aventura pelas profundezas do Alaska. Lá em comunhão com a Natureza vive um vida solitária que o leva, eventualmente, ao desespero.
Toda esta sequência do filme nos leva dentro da cabeça de Christopher, mostrando-nos as suas alegrias e tristezas na bonita e inóspita paisagem circundante.
Este é um filme sério, reflexivo e de perda sobre um jovem e as suas escolhas. Duas das frases mais acertadas sobre a nossa civilização são:
-Precisamos de ajuda dos amigos
-Dependemos da simpatia de estranhos
Esta é uma das reflexões que o filme faz sobre a nossa civilização sem tomar posição.
O que faz o filme tão bom é a identificação que Sean Penn deve ter sentido com a história. Ele próprio, um idealista, apesar de menos zangado agora, deve ter-se sentido identificado com Christopher.
O filme é um testemunho das palavras gravadas por Christopher na solidão em que terminou os seus dias.