No inicio deste filme parece que se juntam os clichés de qualquer filme policial. Um policia experiente e um policia novo cheio de ambição. Mas o inicio engana muito. Se há algo que não existe neste filme são clichés.
David Fincher mostra toda uma nova maneira de fazer cinema. Toda a fotografia do filme é sombria, todos os cenários são sombrios, todas cenas são sombrias. Dezanove anos depois o filme permanece tão actual como na altura em que saiu.
A relação entre os personagens, o policia no fim de carreira no seu pessimismo, o seu colega novo e cheio de ambição com todo o optimismo e entusiasmo, marca a tónica do filme. Brad Pitt no primeiro dos seus grandes papeis no cinema e Morgan Freeman com mais um dos seus incontaveis papeis de homem experiente. A grande interpretação de Kevin Spacey marca todo o filme. O seu vilão é um dos mais interessantes da historia do cinema.
O dialogo entre Freeman e Piit sobre o aborto da mulher de Freeman é épico. Toda a mensagem do filme fala da desilusão com o mundo actual. Visão que as personagens de Freeman e Spacey partilham.
A linha mais notável de dialogo em todo o filme pertence a Spacey. "Nós vemos um pecado mortal em cada esquina, em cada lar e temos tolerância com isso. Toleramos porque é comum, é trivial".
Os pecados mortais vão sendo elencados ao longo do filme. Contudo a cena final é absolutamente genial.
Todo o filme aliás apenas evoca a violência. Não se vê uma cena de violência no ecrâ, contudo a mera sugestão da mesma é violentissima como nunca no cinema.
Poucos filmes de acção conseguem o nivel de violência psicológica que emana deste filme. A moral do filme passa por mostrar que este mundo é pior do que a maioria das pessoas pensam.
Algum realizador, depois deste filme, que queira fazer um thriller psicológico, deve começar o seu trabalho estudando este filme.
David Fincher é um valor seguro, e a evidência que se pode fazer cinema não abdicando do star system de Hollywood.

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